Oxhuc
- Por Caio Santos
- 13 de abr. de 2017
- 2 min de leitura
Essas histórias me apareceram por acaso, quando tive que fazer uma parada forçada no pequeno povoado no interior de #Chiapas, #Oxchuc. Na viagem entre San Cristóbal de Las Casas e Ocosingo, duas das cidades mais importantes do estado, baixei do ônibus ali porque o povo bloqueou a rodovia por um mês. Ao atrapalhar o tráfego, um homem e três mulheres me contaram a razão do bloqueo e porque esse município que mal está no mapa é fundamental para entender #México. Com uma população de 43 mil pessoas, quase totalmente formada por #indígenas#tzetales. 93% está em situação de pobreza, sendo 62% extrema pobreza. Nenhuma casa possui abastecimento público de água e a taxa de mortalidade infantil é de 40%. Durante décadas, a prefeitura é ocupada por uma dupla de caciques Noberto e Maria Gloria Santiz, um casal que se reveza no governo do município. Como várias outras eleições no México, estas são ganhas a base de fraudes e só leva corruptos ao poder. Insatisfeitos, os indígenas tzetales organizaram sua própria eleição em assembléia, com base em tradições e costumes de sua cultura. No final, a #cidade possuí dois prefeitos, um legal, reconhecida pelas instituições mexicanas e outro legítimo, reconhecido pelo povo. Em 2016, tentaram resolver esse conflito prendendo lideranças, organizando uma invasão militar e envenenando a cidade com uma nuvem de gás lacrimogêneo - o que causou a morte de várias idosos e crianças. Mesmo assim, o povo expulsou a política da cidade e tomou a administração do governo por conta própria. Em represália, os recursos municipais foram congelados, o que foi respondido pelo bloqueo da rodovia federal. No final de Abril, depois de um mês de manifestações pacíficas, a estrada foi liberada e retornaram as negociações. Não tenho notícia do desfecho do #conflito.










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